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terça-feira, 22 de abril de 2014

Porque o Pondé é o nosso Datena intelectual


Pondé, o novo seguidor do Datena.

A bem da verdade, muitos dizem que é pseudo intelectual. Mas não vamos nos atentar a esses pormenores.

Desde que Luiz Felipe Pondé deixou de ser um insólito professor da PUC-SP, para se tornar um filósofo midiático, não paramos de ouvir e ler glórias e maldições em seu nome.

Sua coluna na Folha tem destaque, seja por apreço ou ódio dos leitores. Toda segunda-feira é certa a sua presença nas rodas de conversa nas faculdades, nas redes sociais – pela defesa da direita e seus dogmas (sem tortura, que fiquei claro).

Tornou-se o pai afável e carinhoso que põe no colo os pobres órfãos dum Brasil sem ideais libertários, dos meninos de direita do Mackenzie que são mortos e espancados toda semana por pensarem diferente.

Há tempos o que me intriga, mais do que as conclusões simplistas do pernambucano, é o porquê de tanto ibope? Que contribuição os Pondés da vida tem a nos dar?

Não se assombre, quem nos dá a resposta é ele mesmo.

Percebam, quando um filósofo, cheio de dedos, formado em Tel Aviv, resolve escrever o texto "Ser jovem e liberal é péssimo pra pegar mulher", enxergamos a olho nu que o interesse em debater algo válido, ou minimamente de interesse público, cai por terra.

O importante é fazer rir.

Alguma fábrica de fogos deveria contratá-lo como garoto propaganda, “Quanto mais barulho melhor”.

Parece que Pondé é o mais novo seguidor do Datena. Tornou-se a criança chorosa, que ignorada, faz de tudo para chamar atenção. Causar. E nós, como pais mimadores, batemos palmas a tudo. A diferença, meus caros, é que ele ganha para isso.

No fim do mês, não importa quem leu mais os textos, se foram os prós ou contras, o que importa é o número de pageviews que você ajuda a contribuir quando compartilha a coluna do “porco”, “imundo” e “fascista”.

Como tem sido difícil ouvir a canção que diz: “O importante é que interessa...".

Mas não estou aqui a atacar pedras em ninguém. É válido ler, entender, até mesmo para saber com quem estamos conversando, com quem estamos lidando. Como é que pensa uma parcela do Brasil. Mas não confundam as coisas. Não cobrem inteligência, propósitos e sensibilidade a quem nunca se propôs a isso.

E não duvidem, daqui uns anos – quando a ditadura comunista assolar esse país – leremos na ilustre coluna que a volta da escravidão é imprescindível para o bem estar social e o progresso do país.

Enquanto nós nos mordemos de raiva, tendo ataques de pelanca no Facebook, Pondé está pensando em sua próxima coluna: "Oras, talvez o Bolsonaro nem seja tão antipático assim..."



Angelina Miranda é jornalista e escritora sem livros.
Ri alto, é fã de fotografia, cachorro, botecos e maus modos.
Dá uns pitacos pelo Feici e faz uns versos no Poesias Angelinas

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Cães libertados, viva o vandalismo

Foto tirada da página Adote um animal resgatado do Instituto Royal. 
"Finalmente aprendendo a viver como um cão."
Graças a vândalos e maloqueiros, 178 de cães da raça beagle foram resgatados semana passada do Instituto Royal, em São Roque, interior de São Paulo.

O caso, divulgado largamente, chamou a atenção pela ousadia e, também, pelo ineditismo da ação. Rapidamente, muitas pessoas se manifestaram, contra e a favor. Estou no segundo grupo.

Um dos que não viram com bons olhos o resgate foi o promotor de Meio Ambiente de São Roque, Wilson Velasco. Ele argumenta que a invasão pode ter prejudicado as investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo que recebeu denúncias de maus-tratos a cães.

Pois bem, estamos em outubro, as investigações estão sendo feitas desde o ano passado, 2012; parece que o processo está um pouco devagar.

Nesse sentido, os ativistas parecem que fizeram mais do que o MP. Está circulando nas redes sociais, Facebook e Twitter, fotos e relatos sobre o estado dos cães. Além dos traumas físicos, há os psicológicos. Muitos deles têm medo e dificuldade em se relacionar com humanos.

Ou seja, o que antes era suspeita, agora é certeza.

Os responsáveis serão autuados? Não. Muito pelo contrário, é o Instituto Royal que irá processar os ativistas. Mesmo com as evidências, não se discute nada disso. Dedica-se tempo para a velha lenga-lenga do vandalismo, nesse caso, priorizando objetos quebrados no lugar de vidas.

Comenta-se que os prejuízos são grandes, que os “terroristas” destruíram tudo. Que o pobre Instituto Royal contribui muito para o desenvolvimento de medicamentos para humanos, e que o uso de animais em testes é necessário.

Mas, como se sabe, a verdade não é absoluta.

Em entrevista à TV Brasil, a professora de medicina da Universidade Federal do ABC, Odete Miranda, afirmou que sim, que é possível fazer testes sem o uso de animais.

– Existe pele sintética, existem testes in vitro, toxidade em célula em hemácias, é possível sim.

Mas, talvez, usar animais saia mais barato do que investir nessas tecnologias, então suponho que o Instituto tenha economizado bastante. Se o problema é dinheiro, separem as economias e comprem de novo o que foi quebrado.  

Aposto que vai ter até gente querendo ajudar, o Reinaldo Azevedo da Veja seria um deles. Domingo mesmo ele nos brindou com sua inteligência em um texto primoroso intitulando os ativistas de “grupelhos obscurantistas”, e justificando os maus-tratos porque o especismo existe e a vida é assim mesmo, “E uma imposição da nossa civilização”.

Retomando, sobre os protestos a maioria dos direitos que desfrutamos hoje não foi conquistado com flores e afagos, mas sim com luta, com embate. Essa é uma realidade, a pressão popular é o que surte efeito. Vide os 0, 20 centavos que fizeram Alckmin e Haddad mudarem, assim de repente, de posicionamento.

Com flores e afagos os protetores não resgatariam nem meio cachorro. Invadiram, sim, quebraram, sim, para fazer o que tinha que ser feito. Mais do que nunca os fins justificam os meios. 



Angelina Miranda é jornalista e escritora sem livros.
Ri alto, é fã de fotografia, cachorro, botecos e maus modos.
Dá uns pitacos pelo Feici e faz uns versos no Poesias Angelinas.